Como compartilhar a cultura do seu negócio?

Como fazer para que a cultura da sua empresa se desenvolva organicamente? Quais as diferenças que existem entre empresas que são como organismos vivos e exalam os seus valores em quem lá trabalha e aquelas nas quais os colaboradores temem pela segunda-feira, pois não se identificam e nem gostam do seu ambiente de trabalho?

Quero falar neste pequeno artigo sobre alguns pontos iniciais na hora de compartilhar a cultura do seu negócio e como fazer a gestão da cultura da empresa se tornar um hábito entre quem lá trabalha.

A ambição move as pessoas e as motiva a atingir locais e objetivos que antes jamais seria possível imaginar. Quando lidamos com os nossos colaboradores, muitas vezes falhamos ao compartilhar aquilo que buscamos, ou até não nos preocupamos com isso, achamos que é uma besteira e um “papo de consultor”.

Certa vez em um cliente perguntei para o dono da empresa quais eram as ambições do negócio, por que aquele empreendedor acordava todos os dias e a resposta, bastante insegura (parece que nunca havia pensado a respeito do assunto), foi de que ele estava desenvolvendo aquela atividade, pois tinha contas a pagar.

Ora, se nem mesmo o líder da empresa consegue falar com segurança quais são os seus objetivos, como negócio, quem dirá a equipe? Este grupo muitas vezes se sente perdido, desacreditado e sem saber por que motivos realiza aquelas atividades diariamente.

Este é um problema muito acentuado nas empresas brasileiras, e que se nem a própria diretoria consegue definir os seus objetivos, metas e por consequência toda a questão cultural do negócio, a sua equipe não terá uma identificação, ficando desmotivada e se tornando um time improdutivo.

Para começar a dar um pequeno norte ao negócio e, ainda que timidamente, falar em cultura, resolvi elencar alguns pontos iniciais sob o ponto de vista estratégico para que a alta direção da empresa defina e gradualmente, pelo exemplo e conversas ir compartilhando o plano maior, seus limites e ambições com a equipe.

Vejo, como pilares básicos de uma corporação, o estudo da real atividade e proposta de valor do negócio, onde ele quer chegar e os seus limites para atingir os seus objetivos. O assunto pode parecer bastante teórico, mas na verdade ele é o início da formação da cultura empresarial que deve estar alinhada em todas as camadas da empresa.

No plano empresarial, denominamos este estudo com os termos: Visão, Missão e Valores e abaixo falaremos um pouco sobre eles:

Visão

O que você quer ser quando crescer? Uma pergunta que se faz para as crianças, nada mais é do que a pergunta que se deve fazer para os sócios, quando da fundação do seu negócio. Por que está se fazendo tudo isso e onde queremos chegar com essa união de esforços, capital e todos os processos empenhados em uma empreitada como esta.

Empresários que não conseguem responder com autoridade a este questionamento, possuem muita dificuldade em transmitir o recado aos seus comandados, e por consequência, ocorre um menor interesse destes pelo sucesso do negócio. Neste caso, sem uma visão clara, nem saberemos se o êxito está sendo alcançado, visto que estamos sem objetivos e norte para rumar.

Vou compartilhar como exemplo de visão, o da minha empresa: o Pulpo. No Pulpo, buscamos ser a referência em Gestão Inteligente do Conhecimento (GIC) na América Latina até 2020.

Esta visão foi definida segundo os interesses meus e dos meus sócios ao definirmos o negócio como uma plataforma inteligente para a Gestão do Conhecimento (limitamos a nossa atuação neste ambiente, o que nos auxilia em não desfocarmos daquilo que somos bons e que o mercado necessita). Ainda, colocamos como alvo, o mercado da América Latina, ainda desatendido de soluções como a nossa e deixando os mercados americano e europeu com alguns concorrentes internacionais que estão mais consolidados por lá.

A data, também é importante, pois nos faz, como empreendedores, saber que se estivermos em 2018, longe de atingir a visão temos que, juntamente com nossa equipe, correr e trabalhar muito mais forte para cumprir aquilo que traçamos.

Cabe lembrar que essa visão é dinâmica, visto que uma vez atingido o objetivo que ela se propôs, este poderá ser remodelado, com uma linha, agora, mais desafiadora.

Missão

Quando se fala em missão, buscamos identificar o que esta empresa faz para atender às demandas do seu mercado e como sustenta o seu modelo de negócio. A missão é o caminho que os empreendedores escolheram para atingirem a sua visão.

No Pulpo definimos nossa missão como “possibilitar a evolução de iniciativas empreendedoras através da Gestão Inteligente do Conhecimento (GIC)”. Isso significa que não fazemos nada que não torne os nossos clientes mais evoluídos e trabalhando junto à GIC ou em busca de um processo otimizado para o desenvolvimento deles.

Como está bastante claro para todos na nossa empresa o que fazemos, fica mais fácil de introduzir uma auto-gestão em cada um e convencer os clientes internos da viabilidade ou não de projetos e ações específicas. A cultura fica mais enraizada na equipe e aqueles que não se identificam acabam querendo sair e deixando outros que agregariam mais serem admitidos.

E na sua empresa é assim? Todos sabem o que a empresa faz? Eles estão alinhados com a sua missão (se você já tiver uma)? Faça um teste e se surpreenda com as respostas da sua equipe! Quanto antes essas informações vierem à tona, mais cedo você irá ver como o seu negócio precisa pensar em cultura empresarial e se tornar mais eficiente e claro, tomar as medidas necessárias para isso!

Valores

Limites.

Você pode traduzir valores como os limites, uma espécie de quadrado imaginário, que você e a sua equipe devem respeitar na tomada de decisões e em todos os dias da operação do seu negócio.

No Pulpo, nossos valores são:

– Inovação

– Sustentabilidade

– Espírito Empreendedor

– Simplicidade

– Ter a Visão do Cliente

– Ser Exemplo em Gestão Inteligente do Conhecimento (GIC)

Tudo que desrespeite algum ponto destes fatores macro, deve ser, de pronto, descartado, pois vai contra os nossos valores. Quando se fala em cultura empresarial, estabeleça limites e cobre, constantemente, da sua equipe.

Na hora de contratar alguém, deixe claro para este novo integrante as suas responsabilidades como colaborador, e não esqueça de mostrar os planos e objetivos macro do negócio e onde esta pessoa estará ajudando no cumprimento do “grande sonho”.

E agora? Você tem claras a sua visão, missão e valores? O que é sucesso para você? Lembre-se, caso não consiga responder estas perguntas sem gaguejar e com sintonia com os seus sócios, a sua empresa nunca terá uma cultura forte e irá amargar a dor de ter funcionários desmotivados e desalinhados com os resultados do negócio.

Estabeleça seus objetivos e defina seus limites! É um primeiro passo para você alcançar uma empresa com uma cultura forte!

 

1 responder

Trackbacks & Pingbacks

  1. […] muito mais fácil trabalhar em um local onde as pessoas confiem umas nas outras do que em lugares onde a desconfiança predomina. Importante promover atividades e eventos de […]

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *